Ola!
Muito tempo se passou. Parece que foi ontem, mas dia 23 eu completo um ano de Irlanda! E ainda tenho mais um ano pela frente. É isso mesmo, renovei o meu visto para mais um ano. Nesses quase 12 meses eu notei algumas mudanças, e uma das mais importantes foi a minha mãe quem sinalizou. Ela me ligou como faz religiosamente pelo menos duas vezes por semana _graças a Deus, porque se não fosse a minha mãe amada para me dar o suporte necessário eu teria, certamente, abandonado o barco_ e me parabenizou por não ter desistido. Eu até levei um susto, mas depois comecei a lembrar do meu comportamento há algum tempo atrás.
Se a minha aventura da Irlanda tivesse acontecido há 5 anos atrás (tempo que a maioria das pessoas julga certo para fazer intercâmbios e afins) eu certamente teria pulado fora do barco nos primeiros meses. Eu passei por muitas dificuldades aqui. Vim sozinha, com o dinheiro contado e com uma grande expectativa que depois de alguns dias de Dublin se transformou em angustia. Eu explico melhor: Nos post anteriores vocês podem ler os perrengues pelos quais passei com a hostfamily e com a agência que contratei. Depois disso foi a pressão para achar um quarto, e quando achei o bendito, aprender a conviver e lidar com as diferenças na casa. Não era uma época propícia para festejos porque eu estava bem preocupada com a grana acabando, mas eu convivia com festas intermináveis com bebidas, doces, pó e afins, festas essas que aconteciam a qualquer dia da semana… Tudo isso no primeiro mês. Mas as coisas foram melhorando. Sempre melhoram. Tudo passa, né?
Aí foi a vez de outros contratempos estrearem. Se tem uma coisa que devemos aprender na vida é que temos que nos preparar para encarar situações adversas.Estou, inclusive, estou passando por um curso intensivo por aqui ...rsrsr Como diz a minha mãe: “Todos, sem excessão, têm seus problemas para resolver e na verdade temos mesmo é que agradecer, pois poderia ser pior” Parece pessismista, mas é real. Pode observar, todo mundo tem dias bons e não tão bons assim, é a vida.
Mas voltando à Irlanda, no meu primeiro emprego eu trabalhei para um pai solteiro, bem bonito inclusive. Ele ficava perambulando pela casa de cueca, bebia, fumava maconha e me oferecia vinho todos os dias. Até hoje não sei se rolavam segundas intenções, mas ainda que rolasse, era só da parte dele, porque para mim onde se ganha o pão não se come a carne…
Na casa dele eu tive uma primeira impressão do que é uma família irlandesa. Não é lenda, eles realmente não tomam banho todos os dias, mas lá o lance era crítico. O menino mais velho ficou 15 dias sem tomar banho! Não é mentira. Eu saía de casa depois deles e chegava antes, então não havia a menor possibilidade de ele ter tomado banho nesse interim de tempo. Não, ele não era autorizado a tomar banho na escola. Quando eu saí da casa ele estava tomando banho três vezes por semana, um grande avanço para quem tomava banhos quinzenais, certo? Espero que a nova au pair consiga fazê-lo descobrir o prazer do banho diário ;)
Outro desprazer que experientei na casa desse chefe foi o lance do pagamento. Não sei qual é a imagem que eles têm do Brasil, mas a nossa economia está bem melhor do que a deles, e ainda que não estivesse, o investimento que um brasileiro faz para estudar fora é grande, então não estamos aqui para trabalhar por prato de comida. Acho que eles desconhecem esse lado dos estudantes brazucas… Enfim… Eu tive que cobrar o meu pagamento incontáveis vezes, o que foi uma das experiências mais constrangedoras da minha vida! Eu ouvi outros colegas dizerem que tiveram problemas com chefes mau pagadores, mas prefiro acreditar que seja uma minoria que aja dessa forma…
Após nove meses de serviços prestados eu pedi parta sair. Hehe! Agora trabalho para uma família tradicional: Pai mãe e dois filhos. Como eu sou a primeira au pair deles não têm faltado gentilezas. Eles têm se mostrado finos, gente boa mesmo,sabe? Estou bem feliz! Se eu quero trabalhar em outros empregos? Sim, claro! Já até andei fazendo uns bicos como garçonete, faxineira (sim, fiz faxina) e foi bem legal, grana rápida e fácil, já que a faxina por essas bandas consiste em passer aspirador de pó, limpar o chão da cozinha, passar um paninho no banheiro, passar uma roupinha de vez em quando e c'est fini… Mas eu quero conciliar atividades. Trabalhar como au pair me proporciona conforto. Eu tenho um quarto só para mim, abro a geladeira e encontro um monte de coisas gostosas para comer e nem preciso pensar em comprar nada, uso internet, luz e aquecimento sem me preocupar com contas… Enfim. No início eu achava péssima a idéia de ser babá, mas agora eu não quero outra coisa… Fora que se eu for optar por outro emprego eu provavelmente vou ter que dividir quarto com brasileiro (porque Dublin só tem brazuca), as possibilidades de trabalhar com compatriota também são grandes e resumindo: eu não vim aqui para falar a língua portuguesa. É por isso que eu sou au pair live-in e não troco esse emprego por qualquer um não, só concilio.
Não estou namorando, mas sozinha eu não fico né? Rsrsr Já andei dando uma diversificada nas nacionalidades… Fiquei com um australiano (na França haha!), com francês, irlandês (2) e italiano. Pretendo aumenar essa média! Haha!
Fui à Liverpool e à Paris sozinha e depois viajei com o meu irmão na viagem dos sonhos. Fomos à Holanda, França, Inglaterra, Escócia, Alemanha e Turkia. Fora os meus chiliques e alguns outros contratempos deu tudo certo. Ano que vem vou para a Grécia, Itália, Espanha e talvez Portugal. Quero visitar outros lugares também, mas essas são as minhas prioridades.
Outro projeto para o próximo anos é garantir alguma certificação no idioma. IELTS ou CAE aguardam por mim!
Estou com saudades matadoras da minha família e amigos. Quando cheguei na Irlanda eu chorava quase todos os dias. As lágrimas secaram e a saudade se transformou. Acho q agora eu estou mais racional, já que a fragilidade do início de viagem passou. É claro que sempre quando tenho algum aperto eu recorro à mamãe, mesmo com os meus 32 anos nas costas. Mas enfim, como diz o dito popular “O que não nos mata nos fortalece ”, certo?
Texto chato da porra! Só um esquenta parta voltar à ativa. No próximo eu espero voltar com as piadinhas infames e o sarcasmo de sempre. Feliz por ter voltado a postar.
Ah, vou postar em inglês também, porque não basta escrever mal só em português, né?

Olá Denise!!!
ResponderExcluirEsperei ansiosa por esta postagem e adorei ;)
Fiquei meio triste que vc saiu da família do pai bonitão auhauhauha mas novas aventuras a aguardam...continue contando pra gente :D
Ps. fiquei feliz com a resposta do seu email...vou respondê-lo logo com novidades :)
Beijos e sucesso cada vez mais!
Pôxa, Denise, sentimentos ambíguos agora: feliz pela sua felicidade, e triste porque você vai ficar aí mais um tempo. Mas você tem que aproveitar. Se agora está mais fácil do que antes e agora você está no pique, tem que fazer valer. Beijos!
ResponderExcluirE.N., olha, eu fiquei foi aliviada em ter saído de lá. Estou realmente muito agradecida por todas as experiências que vivenciei com eles, tanto as positivas quanto as negativas (com essas a gente costuma memorizar melhor a lição, né?), mas tudo tem o seu tempo, e o meu naquela casa já foi. Que bom que meus emails estão sendo úteis para vc. Qquer coisa estamos aí. Bjim!;)
ResponderExcluirMarcio, seu lindo! Uma das coisas mais difíceis aqui é a saudade! Mas um ano passa rápido, as vezes parece que eu viajei no mês passado e já vou completar uma no aqui, c vê? Daqui a pouco estaremos bebericando alguma coisa e falando as besteiras de costume. Grande beijo para você, viu!
De, minha querida, que alegria em ver que vc voltou a nos presentear com seus textos! E nem é mais novidade dizer o qnto admiro sua coragem!
ResponderExcluirÉ realmente bom saber que está dando notícias, Denise. Espero que sempre lembre de nos dar algumas de suas palavras.. pois voce é muito importante para muita gente, linda!
ResponderExcluirAh, e quanto aos chefes mau pagadores.. rs, Com o tempo até os EUA reconhecerão aonde o Brasil chegou. Então o mundo entenderá a necessidade de respeitar o Brasil.